quinta-feira, 30 de junho de 2011

DOGMAS






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by Robério Matos


Os religiosos não aturo
São heranças ensandecidas
Impostações do além-tempo
Coisas que deveriam ir e vir
Mas que se nos grudam
Por mera tradição.

Os culturais, esses se modificam
Segundo os costumes
De acordo com os nuances
De cada povo, de cada gente
E conforme certos interesses,
Diga-se de passagem...

Os da família, há-se que admitir
Pela mera tradição secular
Pelo bem que se não pode negar
De pai pra filho
De geração pra geração.

Aqueles do amor,
Mais ainda os da paixão,
Nesses me detenho e me contenho
Porque sem eles eu não estaria aqui...

LUSCO-FUSCO





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by Robério Matos


Claras, são as entranhas
Do lusco-fusco da aurora,
Da morte-vida que ao derredor
Se aninha; na rinha; na luta
Pela vida inglória

Que, sem temor nem glória,
Esperneia, grita e se arvora
Tal o ovo na frigideira,
Que, outrora flácido,
Se enrijece com a fervura;
Luta, briga, porém
Sua vida não dura mais
Que lhe permita a quentura
Da tenra banha que o envolve.

Escuras, são as noites
Que emolduram a vida perversa;
Que obscurecem o amanhecer;
Que enlutam os nubentes
Desde o trocar dos anéis
Até os nimbos do entardecer.

Tal o papel-de-parede
Sem cor, definha-se o nadir e
Mostra a cara o hoje, obscuro;
Não tão velho quanto o ontem,
Nem tão moço qual o amanhã.
Efêmero, apenas.

EXTRATERRESTRE







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by Robério Matos


Sou um extraterrestre
Que invadiu o meu espaço
E me abduziu de mim
Lançando-me em sua nave
Cooptando-me em sua tribo.

Que sugou até minhas vísceras
Engoliu minha alma
E por mais que solicitasse
Não me vomitou de mim.

Implorei para trazer-me de volta
Que me devolvesse
Para o meu torrão natal
Que me permitisse
Pisar o solo com os pés meus

Não com os viscosos pés teus.
És verde. Eu sou roxo,
Maldito extraterrestre!
Provarás do meu veneno!
Infernizarei tua vidinha etérea
Serei, agora, o teu ET,
Seu verme nojento!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

DO ALTO DO MIRANTE



















by Robério Matos


Aqui, bem do alto,
Ouço o teu silêncio que chora.

Escuto também outras vozes
De gente que te julga triste;
De gente que te chama de louco
- e essas soam mais fortes.

E... ontem, pouco mais que ontem
Esforcei-me para te fazer feliz...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

SUPERFÍCIE






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by Robério Matos


Penso ao centro
Pois, se o fizesse “de lado”,
poderia entortar e cair.

Escrevo em um papel
Para não riscar
Em / sobre minha superfície.

Ando em círculos
E corro em linha reta.
Se andasse em linha reta
E corresse em círculos
Eu vomitaria sobre mim.

domingo, 26 de junho de 2011

MELANCOLIA II





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by Robério Matos


Não desejo o pleno que há sob os céus,
sobre a crosta terrestre ou que habita

à sombra das vagas enfurecidas.


Não pretendo tudo que há no além abismal,

sob a chave dos tesouros ou na glória dos potentados.


Padeço, todavia, a paz do indivíduo simples,

do sertanejo sofrido, do trabalhador exaurido.


Admiro o pobre agradecido com pão e leite para os seus;

com ralos agasalhos e teto para as noites de fria brisa.


Invejo, até, a fé irrestrita do cristão que tudo tem,

pois confia na Providência e há Quem escute suas preces.


Encanta-me ver um sorriso, ouvir uma sonora gargalhada,

em contraste com uma sutil lágrima traiçoeira,

que não raro teima em umedecer lhe as faces.


Entristeço-me por forçar-me a “emitir” um sorriso acre;

por envergonhar-me ao “me ver” cantarolando uma melodia.


Surpreendo-me, com censura, quando “abro a guarda”

e, sem qualquer motivo, percebo-me em fugaz felicidade.


Desejaria então e sinceramente,

nunca ter sentido a necessidade compulsiva

de experienciar esses nefastos sentimentos.


Ansiaria, entretanto e ardorosamente

jamais ter conhecido e me tornado conivente dessa dor

que insiste em estar sempre por perto,

tal uma “dor-irmã” que não dói na carne,

que não maltrata tanto a matéria bruta;

mais a mente, devagar e silente, ela machuca.


Que nasce nas profundezas do meu ser

e me acompanha aonde quer que vá,

pouco lhe importando se esse é o meu querer.


E por não querer permitir-me transcender,

converte-me numa dízima periódica

que aos poucos se gasta e se cansa

de dividir-se, sonhar, tentar, de viver...


Atormenta-me sentir o seu odor,

Embora haja momentos em que o deseje

quase com um alienado ardente querer.


Tal o abutre, que se nutre de entranhas apodrecidas,

Assim e compulsivamente alimento-me dessa dor.


Pior do que ela, que me aperta com seus nós,

é calar por não poder compartilhá-la.

É não transmitir os apelos do ser maltratado

que, enfermo, se definha, abafando a sua voz.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A Janela





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by Robério Matos

 
O casulo onde moro
De tão pequeno
Cabe no meu peito
E estremece mesmo ante
Os seus inaudíveis sons.

Há um silêncio interno
Que me acorda e assusta
Despertando-me...
Da imensa tristeza
Que implora pra sair
Para conhecer
Sua antônima alegria...

Saia! Digo-lhe eu.
Ensaio ir, mas não saio
Seria vão...
Como sair de mim?

Vou à janela
Única opção. Vejo...
A selvageria e insanidade
O barulho ensurdecedor
Do ronco grave de motores
Das buzinas agudas
Que estouram meus tímpanos
Inalo gases carbônicos
Aspiro o cheiro do lixo
Nauseabundo. Podre!
Tusso. Xingo.
Mando-os todos a...
Fecho-a e volto para mim...

domingo, 19 de junho de 2011

Minha lista



















by Robério Matos









Na minha lista de supermercado
Todos os dias incluo você
Primeiro item!
In natura
Temperada
Crua, de preferência
Como você, depois...