terça-feira, 8 de maio de 2012
segunda-feira, 7 de maio de 2012
MÃE, A VERSÃO IGNORADA
by Robério Matos
É o filho que chora,
o marido que não chega,
o café com pão sem manteiga,
a roupa por lavar lá fora.
Anoitece sem companheiro,
amanhece com a aurora;
o choro esconde no travesseiro,
assim é aquela senhora.
SENHORA, só para o sacrifício.
SENHORA, para o que é difícil;
sem direito a ser gente.
Sem hora para sonhar.
Sem hora para amar.
Vivendo vida descontente.
sábado, 5 de maio de 2012
VOLTE ATÉ ONDE VOCÊ PUDER
imagem Google
by Robério Matos
E prosseguirei no que faltar.
Desbravarei a densa mata do orgulho
saltarei os píncaros de minha altivez
alcançarei tuas pegadas nos pedregulhos
não importando se será tua ou minha a vez.
Sim, volte até onde você puder
que azeitarei à cânfora minha surdez,
estancarei a saliva de minha verbosa língua; minhas retinas untarei com o melhor dos colírios
e meus braços conseguirei larguear
para te pedir perdão e te amar mais uma só vez.
EPITÁFIO
EPITÁFIO (para os corruptos)
by Robério Matos
Vós, que retirastes o pão de descamisados;
que levianamente cevastes mesas já fartas
e pusestes a mão nos ombros
de canalhas, traficantes e corruptos;
no vosso leito agonizante deito o epitáfio
de órfãos e servidores esfalfados.
Que a vossa silhueta se ofusque
no caleidoscópio do tempo
e que a chama que acendeu vossa fome
de ganância se apague ao sopro da justiça.
Que os fragmentos do vosso ventre
sirvam de alimento às aves de rapina
e que a fúria do vento eleve,
em cortejo fúnebre,
o que restar de vossas entranhas
apodrecidas, em longo e eterno espiral.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
CANTIGAS DE AMIGO
by Robério Matos
Esa noche o mar estava sereno,
como a recobrar-se de tempestade
de areias no deserto
e sobre seu tampo deslizavam
barcos de pesca alheios, arredios
ao longe, em cortejo silencioso.
Brumas sobre ondas ralas,
e ainda assim quebradiças, em
cristas sob o efeito dia após dia
de sóis escaldantes,
já despontavam rugas precoces,
esbranquiçadas, alvadias.
Esquálidas, após travessias
sucessivas e fatigadas,
restavam-lhes, contudo,
o hábito de poetizar sem-fim.
e esa noche elas ensaiavam,
em uníssono, Ondas do Mar de Vigo,
um canto de uma rapariga,
na relação com o amigo:
“...Se vistes meu amado,
por que hei gran cuidado!
E ai Deus!, se verrá cedo!”
O vento, compreensivamente,
de seu espaço soberano
espreitava mas não intervia
naquele pool harmonioso.
E rondava a lua, atenta
majestosa e suave
a espreitar movimentos
em seu território.
De os murmúrios de o seu
eterno e rabugento solilóquio
de sempre, dizia-se lhe:
Espera, não te inquietes,
é só mais esa noche...
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