terça-feira, 11 de junho de 2013

AS VISÕES DE MINHA VARANDA



















AS VISÕES DE MINHA VARANDA


Da varanda do meu apartamento,
no oitavo andar do edifício,
vejo o horizonte perto de mim.
A pouco mais de três mil metros.

Nada mudou, desde quando essa vista
fitei há poucos meses,
exceto que naquela época havia coisa a ver.

As dunas ao longe, o notar a brisa do leste;
as aspirações, os desejos, os sentires
de tudo que podia tentar, aspirar um dia.

Ora estou nessa mesma varanda,
mas nada mais vejo, além da saudade
do que fui e vivi um dia, aqui, neste mesmo local...



(Robério Matos)


domingo, 9 de junho de 2013

FOI ASSIM



















FOI ASSIM...



Não havia um caminho.
Um Ponto Cardeal, sequer.

De dia, não navegava sob
a orientação da própria sombra
ou pelo roçar dos ventos
na pele, ou ainda pelos eflúvios
dos seus encantadores aromas.

De noite, mesmo o brilho das estrelas
ou os esplendores da lua não indicavam
um rumo confiável a seguir.

Talvez por isso, pisou sobre brotos
que um dia seriam flores viçosas e
rosas exuberantes que exalariam
os mais embriagáveis perfumes.

Um dia... O mais desditoso de todos,
sem querer, maltratou e esmagou
o mais belo de todos os girassóis.

Foi quando o sol se pôs;
a lua se esmaeceu e as estrelas
foram ofuscadas pela mais escura
de todas as noites.

Aquele dia... Aquele dia...
Nunca aconteceu...




(Robério Matos)


sexta-feira, 7 de junho de 2013

O RIO



















O RIO


Há um rio que nasce bem aqui ao lado
(na minha imaginação).

Gota após gota, pacientemente.

É como o cair de lágrimas solitárias.
Sobre as faces já molhadas.

Ele não imagina o quanto se tornaria caudaloso,
abundante e que tudo inundaria.
Se esse não fosse seu último pingo d’água...

É apenas mais um nascituro abortado.

Que não vai florescer.

Secou antes mesmo de nascer...

Chore, meu rio.

Quiçá você possa tudo novamente afogar...




(Robério Matos)





terça-feira, 4 de junho de 2013

INCONSISTÊNCIAS


















INCONSISTÊNCIAS



Naquela época
não havia amor para doar
nem para sorrir.

(suficientes...)

Apenas um amar
que queria sobreviver.

A todo custo.
Sobre os desafios infinitos.

(ou mesmo impossíveis...).

Um desejo de amar
o amor que desabrochava.

Um querer todo o bem
que se vislumbrava
ante o teu sorrir.

Naquele dia vi
essa possibilidade em ti.

Tu também a viste em mim.

Foi isso...

Um encontro
marcado por desencontros depois...

Só isso...




(Robério Matos)


APELO






imagem Google









APELO


Não fale sobre o que não sabe.
Não diga o que apenas sua mente sente.
Fique na sua...

Cale-se! Deixe os outros falarem
o que sua mente pensa e não sabe dizer.



(Robério Matos)


AS PUTAS SOBRE MIM



















AS PUTAS SOBRE MIM



Não gosto de prostitutas.
Elas me causam
náuseas profundas.

Prefiro carícias,
carne limpa.

Quero fazer amor
gostoso, sadio.
Com alguém
como eu,
puro, carente.

Mas, se não existir
alguém assim,
que venham todas
as putas sobre mim.


(Robério Matos)