terça-feira, 31 de julho de 2012

PREENCHE-ME!






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Preenche-me!


Mesmo com as tuas
costumeiras pieguices;
quer seja com os teus
bizarros desabafos rabisca-me!
Suja-me com os teus vernáculos
por todos já conhecidos
e de puro mau gosto.

Maltrata-me com as tuas
redundâncias e envergonha-me
com os teus erros grassos,
vilipendiando, ainda,
o teu já sofrido idioma.

Preenche-me!
Pior que os teus desvarios
é subtrair-me o prazer;
é não me romper o hímen,
tingindo de púrpura
toda essa alvura
hipócrita e untada de prazer...


(Robério Matos)


segunda-feira, 30 de julho de 2012

ENTRE TU E EU
















Entre Tu e Eu


E assim, tudo ficou tal a imensidão
azul dos oceanos, manso e suave
Gigante, porém dócil e terno
Rijo, no entanto flexível
Seco, em conta-gotas
Entre tu e eu...



(Robério Matos)


sábado, 28 de julho de 2012

MÁ COMPANHIA
























Má Companhia


Do pouco que tive
nada doei.

Vago a esmo

por um turbilhão
de ondas descompromissadas.

Surfo na crista de vagas

 (embora numa linha paralela)
que, para muitos,
exortam o prazer pelo prazer.

Sou carona de pescadores

sem nada querer
ou saber pescar.

A minha parada

será o ponto de partida
daqueles que não querem
viajar comigo...

Sinto-me só,

conquanto cercado
por uma multidão
de sombras do passado

e às vezes imagino

não ser um bom vizinho
mesmo da própria companhia.

Seria preciso

estender as duas mãos,
inda que na palma
de uma delas
sobrasse o meu “universo”
de companhias...

Se mais longe

fosse a minha vida,
mais curta
seria a felicidade
das que me cercaram...

Por isso, já vou...

(Robério Matos)


Botando pra quebrar “no cara”! rsrsrs


quinta-feira, 26 de julho de 2012

PAIXÃO SELVAGEM





















Paixão Selvagem



É fácil apaixonar-te, assim
sem pressa, à toa.
Rubra, da cor do carmim.
Doutra forma, enjoa.
Com o gosto verde, do mato
a farfalhar no roçar das pernas
sentindo-te pelo tato
acarinhando-te com o olfato
auscultando-te com os dedos
em toques de intensa magia
causando-te indizíveis arrepios
e vendo os estertores nos seios,
arfantes, a quererem fugir
dessa anátema, porém doce tortura;
exalantes do último suspiro
até que o desejo, exausto
sinta o tocar de minha parte
na tua, que murmura inaudíveis
desejos só compreendidos pelos
divinos segredos teus...


(Robério Matos)


quarta-feira, 25 de julho de 2012

HÁ VIDA AQUI


















Há vida aqui



Por trás da tela há um ser
palpitante, em cujas veias
flui sangue que irriga um
coração que pulsa no peito.

Não se constitui de chips
logins e não é metafísico
nem apenas mero contato
anônimo, frio, imaterial.

Autêntico, ama sorrir, viver;
compartilhar bons momentos,
porém, sofre com o sofrer.

Por trás dessa tela onde tu
ora se conecta e pensa me ver
inerte, frio, apático e surreal
há alguém impar, verdadeiro
e ansioso para te fazer sentir
todo o amor que tem para dar
para dourar teu viver; que
não te quer só mera amiga
pois de ti também precisa
para prosseguir, amar, viver.



(Robério Matos)



MOMENTO NIRVANA






imagem Google










Momento Nirvana



Ora Despojado das paixões
Das sansaras, do frenesi

Transparente e lívido
Sem couraças ou rompantes

Deixo-me fluir
Levitando sobre a massa...,
Transcendendo o finito.



(Robério Matos)


sábado, 21 de julho de 2012

SE PUDESSE, EU TE DIRIA...








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Se pudesse, eu te diria...


Meu tempo congelou no teu espaço
Meus pés se afundaram ao te seguir
e preso fiquei sem ter para onde ir.
De ti só havia o cheiro do teu regaço.

Distante, cruzava o meu teu olhar
tua cama estremecia ao me sentir
e sobre meu corpo tu quiseste sucumbir
teu desejo ao meu fundir, se comunicar.

Se pudesse saciaria esse teu faminto furor
de em mim grudar teus lábios, tua boca
e abafar o gemido que sufocas como louca.

Então eu te diria sem receio, sem pudor
vem em mim aplacar essa tua fome de sexo
e juntos mataremos esse tesão desconexo.



(Robério Matos)










sexta-feira, 20 de julho de 2012

PELÍCULA SEDUTORA














imagem Facebook






















Película Sedutora


... Então rebobinava a fita;
o filme de suas imagens mentais.
E apegava-se a cada cena com
a mesma paixão e tesura de quando
outrora contracenava, na vida real,
com as personagens que ora criava...

Cabelos longos, sedosos, doirados
acompanhavam a inclinação do
tronco, em perpendicular, na direção
de sua coxa esquerda.

Admirada, desejou-se lhe naquele
instante mágico, com inusitado querer
de “se possuir”...

Pausou a fita naquele detalhe
e dele não mais ousava querer sair...
E assim não fugiu da cena, antes
permitiu-se substituir a coadjuvante e
prosseguiu d’onde parara...

Carinhosa e apetitosamente, virou
um pouco a extremidade da calcinha
de sua deusa enquanto alongava o olhar
concupiscente sobre suas curvas...

Tentou apalpar a tez pilosa que
já tiritava de intenso prazer quando foi
abruptamente sacudido daquele instante
surreal e recheado de volúpia.

Incrédulo, tocou nos lençóis amarfanhados
que cederam sob o peso de sua mão...
Apertou o play do retroprojetor e
voltou a assistir ao filme...



(hehehe! – Robério Matos)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

ABDIQUEI DO TEU AMOR


















Abdiquei Do Teu Amor


Fiz poesias e mandei beijinhos
curti todos os teus escritos
mesmo aqueles esquisitos
comentava-os com carinho.

Busquei sempre ser engraçado
mostrei toda a minha alegria
ainda quando somente sofria
nunca revelava um só enfado.

O tempo, todavia foi passando
e eu imaginava você me amando
e aguardava com toda ansiedade.

Quando vi meu amor não atendido
pensei nada mais querer contigo;
qual nada! Quero sim tua amizade.


(Robério Matos)

TODO O AMOR QUE HÁ EM MIM







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Todo o Amor que Há em Mim


Diz-me meu Deus que fazer
com todo esse amor que há em mim
e que me sufoca, até.

Seria um desperdício amar-se
tão-somente a si
quando há tantos que não têm
um pouco de carinho sequer,
e que mendigam apenas as migalhas
que caem sob a mesa do coração,
em suspiros ante sua solidão
em mais um dia repleto de nuvens
e carente de um raio de sol.

Permita-me então, Senhor
que não seja tão mesquinho e que
eu possa usar só um cadinho
desse amor que não mais consigo reter
e que de mim teima em sair
para alojar-se no peito de alguém,
que palpita e anseia tão só
por um singelo e meigo olhar,
quiçá também um terno abraço
aquecido de carinho e paixão
e que apenas se contentará com
uma pequena porção desse amor.

Permita-me Senhor que doe todo
esse amor que há em mim.


(Robério Matos)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

QUEM SABE UM DIA...








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Quem Sabe Um Dia...


Quem sabe um dia, meu anjo-azul
o amor, inda que de tão gasto
não perca sua cor e a gente
se encontra no fim de uma estrada,
d'onde não se pode prosseguir
e então ali ficamos agarradinhos
esperando o tempo passar...
E faremos amor sem tréguas
até que um dia ele retorne e nos acorde
(ou nos mate para sempre...)



(Robério Matos)



domingo, 15 de julho de 2012

ESPAÇOS VAZIOS







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Espaços Vazios



Um vão enorme!
Retangular e sem limites.
Mesas. Muitas mesas!
Cadeiras. Depois, mais mesas...
O vão continua o mesmo:
Enorme!
Uma mesa; uma cadeira,
Ocupadas.

Um indivíduo apenas
Preenche os espaços,
Mas todos estão vazios...


(Robério Matos)


sábado, 14 de julho de 2012

O GALO MIMOSO

























O Galo Mimoso


by Robério Matos



Do Oiapoque ao Chuí
ninguém uviu falá
istoria mais marcante
qui a qui vô lhes contá:

Sucedeu há muito tempo
no sertão do Seridó,
terra de cabra macho
quinem todos de Caicó.

Pur ironia do distino
o nomi dele era Mimoso,
mais de manso num tinha nada
apois quiera valente e foigoso.

Muito franzino de corpo
mais ligêro de pernas e asa
muita gente ele enxotava
de vorta pra suas casa.

De suas proeza
seu Véi César se encantava
e dona Formosa, feliz,
num sabia se ria ô chorava.

Nenhum bicho ô gente
cum ele tinha vêis,
apois o penudo era fio
de galo carijó e galinha pedrês.

Seu Juca, Vaca Véia,
Marreta e Besourão,
sempre assustados, gritavam:
prende o galo, Torrão!

Amorosa, paciente, acudia
Pegóba, que aguniado isclamava:
Num tenho medo de assombração
e muito meno de alma penada!

Mái veio um dia um falatoro
qui a todos ismoreceu:
Minha gente!, Mimoso sumiu!
foi cumido por Zé Bedêu.



NOTA DO AUTOR:
História baseada em fatos reais. Acreditem!



TU







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Teus seios duros, parcos de memória,
querem saber, bem, da minha arte antiga.
Teus anos verdes, tua curta história,
teu ventre alvo, verso de cantiga,

tu por inteira queres conhecer
o segredo de amar, antes que a vida
devagar ensine a arte de viver.
Menina, a paixão amadurecida

não merece teus sonhos de criança.
Eu não quero teu corpo apenas horizontal
nem a seiva de tua pouca vida.

Na relva do meu peito que se cansa
serás, minha pequena flor do mal,
doce paixão apenas pressentida.


(Robério Matos)

sexta-feira, 13 de julho de 2012

MIGALHAS







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MIGALHAS


by Robério Matos


Não mais quero comer as
magras fatias que colocas à
mesa para o meu desjejum.

Preciso de comida forte!
E tu me ofereces café fraco.
Apenas pedaços soltos em lugar
do teu corpo por inteiro.

Desejo tua companhia
no decorrer do dia,
com você bela, bem trajada,
mas à noite te quero na cama,
nua, devassa!

Pouco me satisfaz só te beber
devagarinho...
Descendo-te suave
por meus lábios; minha garganta,
sem provar de todo o teu gosto...

Quero, sim, te degustar
pausadamente, porém
inspirando o teu cheiro de sexo
e sorvendo cada porção tua
por entre as pernas minhas,
entre as tuas...
E depois te comer vorazmente
até saciar minha fome de prazer!
E não apenas contentar-me
com as migalhas que, sem pudor,
sei sobradas de outros pratos.
Só sobejos...